Na Nossa Tela: bagunça cooperativa, um piloto perdido na Guerra Fria e os Deadites em chamas (literalmente)
Nesta edição: uma caminhada cooperativa que só funciona em grupo, um piloto perdido na Guerra Fria e o retorno sangrento (e desigual) dos Deadites.
por Tiago Salvador
15 de setembro de 2026

Na Nossa Tela desta semana
Nesta edição: uma caminhada cooperativa que só funciona em grupo, um piloto perdido na Guerra Fria e o retorno sangrento (e desigual) dos Deadites.
Jogo: Big Walk
Como o título já entrega, é sobre isso mesmo: uma baita caminhada, só que ao lado dos amigos. O jogo é 100% cooperativo (dá até 12 jogadores, mas ninguém avança sozinho) e os puzzles só fecham quando o grupo se comunica direito, o que na prática vira uma bagunça engraçada de gestos, gritos e microfone ligado no ouvido errado. É da House House, o mesmo estúdio de Untitled Goose Game, então o timing de humor non-sense já era esperado. A crítica bateu bastante nesse ponto: é um jogo que exige cooperação genuína e comunicação constante, e que transforma algo simples como andar e resolver puzzles em uma aventura grandiosa. Recado direto: chama o grupo, porque sozinho essa caminhada não sai do lugar.
Critical Hits
Jogo: Absolum
Beat 'em up com estrutura roguelite, do mesmo time por trás de Streets of Rage 4 (Guard Crush Games), em parceria com a Supamonks e publicação da Dotemu. A cada corrida você escolhe Rituais que funcionam quase como os boons de Hades, empilhando efeitos elementais nos combos, e o jogo reforça isso com quatro personagens jogáveis, cada um com um conjunto de habilidades e estilo de combate bem diferente entre si. O visual chama atenção logo de cara: traço desenhado à mão, com um acabamento de quadrinho que lembra o clima sombrio de Blasphemous, mas com uma paleta bem mais convidativa. Estamos jogando e gostando bastante: a comparação com Hades faz sentido na progressão entre corridas, mas a base continua sendo murro e chute, só que com muito mais profundidade do que o normal do gênero.
Filme: Mayday
Ryan Reynolds é um piloto da Marinha que cai em território russo e acaba sendo "adotado" por um ex-agente da KGB fã de cultura pop americana, vivido por Kenneth Branagh. Dá pra resumir como Top Gun cruzado com buddy comedy da Guerra Fria, dirigido pela dupla que fez Dungeons & Dragons: Honra Entre Ladrões. O ponto mais elogiado pela crítica é justamente a parte técnica: a Variety destacou que o filme tem planos que seriam praticamente impossíveis de filmar de forma prática, como a câmera passando por baixo dos pneus de um avião espião taxiando, e que o resultado visual impressiona mesmo fora do circuito Tom Cruise de blockbuster aéreo. E tem piada boa: vários críticos apontam Branagh roubando praticamente toda cena em que aparece, o que rende boa parte do humor do filme. Detalhe chato: ficou de fora do cinema e foi direto pro Apple TV+, decisão que até a imprensa especializada achou desperdício.
Filme: A Morte do Demônio: Em Chamas
Sexto capítulo da franquia Evil Dead, dirigido pelo francês Sébastien Vaniček (o mesmo de Infestação). Uma viúva busca refúgio na casa isolada dos sogros e descobre, da pior forma possível, que os votos de casamento continuam valendo depois da morte. É o capítulo mais violento da saga até aqui, mas também o que mais dividiu a crítica: ficou em torno de 71% no Rotten Tomatoes, bem abaixo dos 85% de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023). A bilheteria seguiu o mesmo caminho, com estreia 44% menor que a do antecessor. Assistimos e até curtimos os efeitos práticos e a crueldade das mortes, mas o ritmo não se sustenta o filme todo. Entre os dois, ficamos com A Ascensão.